Alcolumbre não pretende autorizar prorrogação da CPI do INSS
Alcolumbre não pretende autorizar prorrogação da CPI do INSS
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse a interlocutores que não vai autorizar a prorrogação da CPI do INSS, mesmo depois de ter mantido a quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conversas reservadas, Alcolumbre observou que o máximo a ser concedido é um prazo de dez dias para a comissão parlamentar de inquérito terminar o seu relatório sobre as fraudes no pagamento das aposentadorias.
A CPI do INSS virou o principal campo de batalha entre o governo e a oposição neste ano eleitoral, com grande potencial de estragos para a candidatura de Lula a novo mandato. Além de conseguir sinal verde para investigar Lulinha, adversários do Palácio do Planalto também tentam colar o escândalo do Banco Master no colo do presidente. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso novamente ontem pela Polícia Federal.
O prazo para o encerramento da CPI do INSS é o próximo dia 28, mas o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), está pedindo a prorrogação dos trabalhos. Parlamentares ameaçam até mesmo recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir estender a CPI.
“Eu sou contra ficarmos recorrendo ao Supremo, mas pode ser que não tenhamos outra alternativa”, afirmou Viana. “Pela lei, nós temos o direito de que a CPI permaneça por pelo menos mais 60 dias”.
Alcolumbre tem escancarado sua insatisfação com o governo desde que Lula decidiu indicar o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF. O presidente do Senado defendia para a vaga o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e avalia que Lula ignorou esse pleito sem reconhecer os movimentos feitos por ele para “ajudar” o Planalto.
Aliados de Alcolumbre citam, por exemplo, que a indicação do ministro Flávio Dino ao STF não teria sido aprovada no Senado, em dezembro de 2023, não fosse a atuação “pessoal” dele.
Até hoje, Alcolumbre não deu sinais de quando pretende marcar a sabatina de Messias e, por isso, Lula ainda não enviou sua indicação ao STF para a Casa legislativa.
No comando de uma articulação para que Pacheco seja candidato ao governo de Minas Gerais, o presidente não voltará atrás na escolha de Messias.
Uma planilha em poder de Alcolumbre indica, porém, que, se a votação do nome de Messias pelo Senado fosse hoje, ele não teria apoio suficiente para ser nomeado. No Congresso, é corrente a avaliação de que, sem a “benção” de Alcolumbre, nenhum nome para o STF consegue ser aprovado.
Diante da crise, líderes do governo no Congresso procuram não confrontar Alcolumbre, tanto que não vão recorrer de sua decisão de manter a quebra de sigilo de Lulinha.
Na prática, o sigilo do filho do presidente já havia sido quebrado pelo ministro do STF André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, mas o governo avalia que o prejuízo é sempre maior numa CPI, classificada como “palanque eleitoral”.
Fonte Tribuna da Bahia
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