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O que explica a corrida global de investidores para o Brasil

O que explica a corrida global de investidores para o Brasil

O que explica a corrida global de investidores para o Brasil

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O principal índice do mercado de ações brasileiro renovou ontem a máxima histórica em pontos e o dólar voltou a cair em meio à forte migração de recursos estrangeiros para o mercado brasileiro vindos de investidores que estão reduzindo a exposição a ativos americanos. O Ibovespa fechou com alta de 2,03%, a 189.699 pontos, o 11º recorde no ano, e acumula valorização de 18% em 2026. Já o dólar recuou 0,18% e fechou a quarta-feira a R$ 5,1869, a menor cotação desde 28 de maio de 2024.

O investidor estrangeiro segue dando a tônica dos recordes na Bolsa, que ontem chegou a superar pela primeira vez os 190 mil pontos: são R$ 30,5 bilhões já injetados no mercado acionário brasileiro em 2026, volume 20% maior do que em todo o ano passado.

A desconfiança com o governo de Donald Trump se somou à redução da exposição a ativos ligados à tecnologia nos Estados Unidos, o que estimula a busca de investidores globais por papéis que possam render mais em outros países. Entre os mercados emergentes, o Brasil tem se mostrado um dos destinos preferenciais.

Os bolsos internacionais procuram diminuir a aposta nas aplicações nos EUA e passam a distribuir uma parte do seu capital, ainda que pequena, em fundos que replicam índices acionários de países emergentes como o Brasil.

Por conta da menor liquidez na comparação com o mercado americano — a fatia americana da indústria de fundos de investimento representa 70% de todo o capital global, enquanto os países emergentes juntos ficam perto dos 6% —, a saída de aplicações dos Estados Unidos, ainda que pequena, promove uma enxurrada de capitalização nos índices acionários dos países emergentes.

Definitivamente, quem patrocina a alta do mercado brasileiro é o estrangeiro. E remete aos ruídos da administração atual dos EUA, com a última sendo a questão da Groenlândia, que intensificou um pouco a rotação de recursos. Há ainda o questionamento da independência do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e as tarifas comerciais”, avalia Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.

Risco Trump

A avaliação é semelhante a de Ricardo França, analista da Ágora Investimentos, que vê os ataques ao Fed e a escolha do novo presidente por Trump — Kevin Warsh iniciará seu mandato em maio e há temores sobre intervenção política na autoridade monetária — como fatores de incerteza.

“A questão de politização do Fed traz instabilidade, e o investidor fica com uma percepção de risco maior, sendo mais um motivo para redução da exposição aos ativos americanos”, avalia.

As dúvidas sobre o retorno dos multibilionários investimentos das empresas americanas em inteligência artificial também abrem espaço para a diversificação do investidor estrangeiro, avalia Alexandre Sant’Anna, analista sênior de renda variável da ARX.

“Há dúvidas sobre como os investimentos em IA vão se comportar em relação ao retorno, quanto já está embutido na Bolsa americana e quem serão os vencedores dessa corrida. É muito disruptivo. Uma empresa é principal, depois surge outra nova que vem e desbanca a principal. Depois dessa narrativa, o investidor buscou diversificar. E emergentes entram nesse escopo”.

O aproveitamento dessa redução dos ativos americanos pelo capital global não é uma história que favorece apenas o Brasil. Também acompanham o Ibovespa os índices de países da América Latina e de outros emergentes, como África do Sul, Colômbia, Chile e Coreia do Sul.

Fonte Tribuna da Bahia 

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