Trump dá a Putin sua grande vitória na Ucrânia, e isso mudará tudo na Europa
Trump dá a Putin sua grande vitória na Ucrânia, e isso mudará tudo na Europa
Para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, uma ligação telefônica marcou um ponto de virada tão importante quanto qualquer batalha em sua guerra de três anos na Ucrânia. Em um longo telefonema na quarta-feira, o presidente Trump transmitiu uma mensagem a Putin que resumiu muito da forma como o líder russo vê o mundo de hoje: que a Rússia e os Estados Unidos são duas grandes nações que devem negociar diretamente o destino da Ucrânia e passar a tratar de assuntos globais ainda mais importantes. Foi o sinal mais claro de que Putin, apesar dos fracassos desastrosos da Rússia no início de sua invasão da Ucrânia no começo de 2022, ainda poderia sair da guerra com um mapa redesenhado da Europa e uma expansão da influência da Rússia.
Europa reage
Os governos da Alemanha e da França, as principais potências dentro da União Europeia, rechaçaram nesta quinta-feira, 13, as negociações entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, para pôr um fim à guerra na Ucrânia.
Ontem Putin e Trump conversaram por telefone e concordaram em se reunir para chegar a um acordo que, provavelmente, deve incluir a perda de território ucraniano. A reunião, que deve ocorrer na Arábia Saudita, segundo Trump, não deve contar com a presença do presidente Volodmir Zelenski. Putin, no entanto, disse a Trump que qualquer acordo deve solucionar “as causas originais do conflito” — uma referência à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte ao leste da Europa.
Tanto a ausência de Zelenski quanto as demandas de Putin preocupam os europeus. Em uma reunião dos ministros de Defesa da Otan mais cedo em Bruxelas, o alemão Boris Pistorius disse que EUA os não deveriam ter feito concessões à Rússia antes das negociações de paz, descartando a adesão da Ucrânia à Otan e aceitando que o país teria de abrir mão de parte de seu território.
“Na minha opinião, teria sido melhor falar sobre uma possível adesão da Ucrânia à Otan ou sobre possíveis perdas de território na mesa de negociações”, disse Pistorius.
O ministro da Defesa da França, Sébastien Lecornu, usou da ironia para comentar o telefonema entre Trump e Putin. " Me parece uma tentativa de chegar à paz pela fraqueza em vez da força”, disse ele, em referência ao slogan “paz pela força”, usado por Ronald Reagan para negociar com a URSS nos anos 80 e frequentemente adotado por Trump e seus partidários.
A União Europeia, por sua vez, também expressou descontentamento. “Qualquer acordo de paz sobre a Ucrânia negociado sem Kiev e os europeus está fadado ao fracasso”, advertiu a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. “Nenhum acordo pelas nossas costas funcionará, qualquer acordo também precisará da participação da Ucrânia e da Europa.”
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, que na quarta-feira disse que Trump não apoiava a candidatura da Ucrânia à Otan como parte de um plano de paz, disse aos repórteres, antes de uma reunião dos ministros da Defesa aliados nesta quinta-feira, 13, que o telefonema com o líder russo “não foi uma traição” a Kiev. Zelenski, por sua vez, procurou parecer otimista, dizendo durante a noite que havia conversado com Trump e que acreditava “que a força dos Estados Unidos é suficiente para pressionar a Rússia e Putin a entrarem em paz, junto conosco, junto com todos os nossos parceiros”.
Fonte Tribuna da Bahia